terça-feira, 24 de julho de 2012

Pulso (03/06/2011)


Primeiro, achou que ia morrer.
A eternidade que passava logo lhe mostrava que aquilo não era a morte, pois nas suas veias ainda corria o sangue vermelho.
Depois, estava difícil respirar.
Cada inspiração era uma dor, um corte profundo em seus sentimentos. Resistir a forte tomada de memórias e destroços era demais para um homem só.
O tempo passa, e a mente torna-se distante.
Os sentimentos que se esvaem, a razão que luta pelo controle. Tudo aquilo que passou é relembrado e devorado pela constante sensação de querer se apegar a algo que já não está mais ali.
Quando menos percebe, um leve sorriso.
Sentia que algo faltava, e sabia que não teria nada que cobrisse aquele poço escuro. Mas ainda havia luz, um calor distante.
Uma mão se fecha, outra se estende.
Impossível comparar um amigo a um amor. Amores passam, mudam, se guardam. As amizades exploram o ápice de um ser.
E então, no fim, percebeu que ainda havia um reflexo, e este lhe sorria...
Era hora de deixar para trás o que passou,
Ele está vivo, ele é vida, e isso, ninguém a de lhe tomar.

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