terça-feira, 24 de julho de 2012

Em pedaços pelo chão (01/05/2011)


Não amar é sofrer menos. Tenho que admitir que, fora do amor, as coisas parecem mais claras, as cores são certas e sabemos distinguir o que devemos e o que não devemos fazer para manter a compostura. É um sentimento acompanhado pela dor, pelo ciúme, pela mais pura irracionalidade do ser. O amor transforma, “animale-ce” o homem mais centrado, a mulher mais equilibrada, e todos aqueles que acreditam compreender o mundo e as especificações de uma sociedade.
Mas triste é aquele que nunca experimentou o amor, que nunca viu as cores claras de maneira tão intensa quanto um ser apaixonado. O amor, em seu ápice, torna-se a base de tudo. Os planos são feitos, os defeitos apagados com uma borracha. A princípio, temos almas gêmeas que jamais quebrarão seus laços, e então vemos duas pessoas tornarem-se mais fortes do que jamais imaginavam ser. Até abrirem de fato o seu coração.
Às vezes, quando mostramos tudo de nós para alguém, decepcionamos. Mostramos que não somos o suficiente, que não supriremos alguma deficiência ou carência de nosso companheiro, de nosso par perfeito. Com o tempo, o amor torna-se frustração, e dói de uma maneira inacreditavelmente torturante. A sensação de alguém que vê seu amor em declínio, em constante desabamento é a mesma de quem tem um corte profundo, incurável, que vai sangrar até definhar a vida de seu corpo. Você não vai morrer de maneira rápida, e sim aos poucos... Uma morte lenta, dolorosa, que lhe dá a impressão de nunca acabar. Você quer gritar, quer debater-se, de maneira que a criatura causadora de toda aquela dor perceba que a decepção em seus olhos é o pior golpe sem misericórdia.
O olhar de alguém desapontado é uma das piores visões do mundo. Você sabe que não era o que aquela pessoa queria, e então percebe que lentamente, você vira uma das páginas de caderno viradas da pessoa amada. Você não é o suficiente, e seu jeito de ser não contenta. Você não serve, e se não mudar a essência de sua alma, vai ter que abrir mão daquilo que te mantém em pé, daquele que te faz feliz. Aqui, você percebe que não vai sobreviver a um golpe tão grande, mas tem que se preparar, porque, quando o outro mostra, através de suas ações, que você é só mais uma roupa que não cabe mais, não existem muitas oportunidades de reparo.
No fim, estamos quebrados, querendo gritar, querendo quebrar as paredes. Mas nos contentamos apenas em ficar em silêncio, tentar levar a vida pra frente, e acreditar que, aconteça o que acontecer, nós vamos sobreviver. E de fato vamos, mas no momento, apenas parece que uma parte de você morreu, como um parente importante. Agora é a hora de deixar a sua alma gêmea do momento partir, e a ver viver. Esperamos que ela sinta o que sentimos, e perceba que foram feitos um para o outro. Mas acreditar nisso é iludir-se, e esperar demais.
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Não era pra soar bonito, ser poético, ou fazer bem. Queria só jogar as palavras em algum lugar, e aqui estão elas, no meu cantinho de palavras perdidas.

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