terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Ex

Definir o que sobra de um relacionamento após seu término, e o que é aproveitável ou não ali, vai ser sempre um mistério para mim. Um relacionamento parte do amor, do interesse entre duas pessoas dispostas a pensar em um futuro, pelo menos é isso que me disseram. Descobri que também existem relacionamentos que existem por existir, relacionamentos que existem para nos fazer crescer, relacionamentos que são para sempre... E a grande parte dos relacionamentos, que são para sempre até chegar ao fim. O que sobra?
O que acontece com todos os planos, com todas as expectativas? Quem foi que inventou essa regra de que o “clima” que paira entre duas pessoas que um dia estiveram juntas fica estranho, intragável, insuportável? O que aconteceu com toda a harmonia entre duas pessoas que um dia se conheceram tão bem sentimentalmente e carnalmente? De íntimos, passamos a ser meros conhecidos com histórias borradas, cicatrizes mal cauterizadas... As fotos são deletadas ou guardadas em algum lugar escuro, os presentes na estante tem histórias mudadas, origens embaralhadas de modo que não lembrem mais seus reais propósitos. Afinal, quando o relacionamento chegou realmente ao fim?  Quando o casal termina uma temporada juntos? Acho que aquele clima após também deveria ser considerado parte do relacionamento. O desapego.
O desapego é aquele momento estranho, e ainda mais estranho quando o convívio ainda permanece constante. É mais fácil quando existe raiva, ódio, e quase insuportável quando quase não há mágoa. Nesse segundo tipo vêm as dúvidas: Será que realmente não era o certo? Será que não existe uma chance? Será? Será?
Defina intensidade de amor. Não houve amor o suficiente? Houve amor demais? O que realmente deu errado? Porque o coração não bateu mais rápido na hora certa? Em que momento o caminho trilhado se tornou dois, e o mundo já não fez mais sentido daquela maneira? E as alianças? E as noites de amor? E a futura casa? Os futuros filhos? Coitados, não vão existir. Não daquele jeito.
Deve existir algum lugar para onde vão todas aquelas coisas planejadas, todos os sonhos a dois, todas as expectativas de um casal no momento em que tudo termina. Será que depois, conseguirão aquelas duas pessoas, antes tão uma, partilhar de um momento a sós sem uma cachoeira de lembranças, sem as perguntas que nunca vão ser respondidas? Sem tantos “serás”?

O que sobra de um relacionamento que chega ao fim?

. . .

Retirado do fundo da pasta de 2013, escrito em algum momento próximo a março.

Nenhum comentário:

Postar um comentário