domingo, 5 de janeiro de 2014
Machinarium
Fico esperando o dia em que eu me ajeite, que saiba colocar os passos em sincronia. Fico esperando o dia em que conseguirei mais uma vez apertar o botão que me deixará aproveitar o progresso que tenho feito em minha vida.
Fico esperando o dia em que vou entender que a terra gira, que as folhas caem, e que os sentimentos não devem se sobrepôr as nossas conquistas diárias e nosso sorriso verdadeiro. Sorriso verdadeiro, não aquele que sobrepõe o desespero de quem já não sabe mais controlar a montanha-russa nas entranhas e as conexões nervosas que piscam dentro daquele canto do cérebro que precisa parar para recolocar as peças no lugar.
Fico esperando o dia em que meu óleo será renovado, que as juntas vão se desprender, que as amarras vão cair e que vou voltar a saber tirar os pés do chão sem rasgar-me por dentro.
Fico esperando o dia em que as engrenagens vão voltar a girar.
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